BEIJING, CHINA – 1996
Na primavera de 1996 fui passar umas semanas de férias a Pequim, Xangai e Chian, a convite da minha mais antiga amiga, que viveu uns anos no compound diplomático de Pequim, por circunstâncias familiares.
Fiz 2 rolos de 36 fotografias a P/B naquelas semanas passadas na China. Fotografei apenas em Pequim, alguns pavilhões da Cidade Proibida e cenas da vida urbana. Da Muralha, de Xangai e de Chian fiz película a cor. A leveza com que fui passando pela vida parece-me agora lamentável, no sentido em que muitas mais imagens mereciam ter sido fixadas. Recordo que não me dei bem com o céu. Com a luz chapada. Tudo rapado, uniforme, sem nuvens, sem contraste e sem o céu azul de Lisboa, que na minha juventude julgava ser universal. O véu branco que cobria a atmosfera travou muito o meu instinto de fotografar.
Chegada a Lisboa, insatisfeita com as provas de cor, como já antevia, guardei as películas, nas grandes folhas de 4 furos, com tiras de papel vegetal, próprias para o efeito. E aí ficaram “congeladas” 30 anos.
Agora, passado este tempo de amadurecimento e degelo, tanto das fotografias como do meu olhar, voltei a cruzar-me com os negativos.
Vejo imagens da vida que se vivia em Pequim naquele exacto momento.
Recordo uma manhã de domingo em que muitos casais dançavam num jardim onde colocavam rádios a pilhas pendurados nas árvores. Lembro a simplicidade de tudo. Dos meios de transporte, de pessoas e de animais. Dos rituais ancestrais de fazer Thai Chi Chuan na beira do rio ao nascer do sol. Do vestuário das crianças com aberturas nas calças para o que desse e viesse. Da inexistência de construção urbana em altura. Das centenas de bicicletas que funcionavam também como táxis. Da zona dos artistas, das figuras dos teatros de sombras, das aguarelas, das peças de calçado antigo, das farmácias e do comércio.
As fotografias desta série são uma pequena parte da realidade daquele tempo, em tudo analógica.































































