NO ADMITTANCE / ACESSO INTERDITO
Exhibition within the reabilitation and remodelling of the main auditorium of Calouste Gulbenkian Foundation
15 feb/2 march 2014
O Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, inaugurado em Outubro de 1969, esteve 44 anos ininterruptos em atividade cultural.
A renovação e restauro do Grande Auditório teve lugar em 2013.
Antes do início dos trabalhos de renovação fotografei os ensaios e os testes técnicos das óperas encenadas Le martyre de Saint Sébastien e Dido e Eneias, em Fevereiro e em Abril de 2013, respetivamente. Os melhoramentos no apoio técnico aos espetáculos são muitos, a estética do auditório foi intencionalmente mantida.
21 de Junho, autorizada a transpor a interdição, a circular e a fotografar as zonas sujeitas a obras de renovação e restauro, pelo director do Programa de Renovação do Grande Auditório, Celso Matias, registo a grandiosidade das intervenções no Auditório, na antiga sala de ensaio da orquestra, nos nossos gabinetes técnicos, nos acessos técnicos e nos acessos públicos à zona de espetáculos. O fascínio antigo pelos antros da criação, pelas oficinas, os cenários, os adereços, os bastidores, o sub-palco, as instalações técnicas, as régies, as cabines de cinema, os espaços de ensaios, os corredores técnicos, enfim o encantamento pelo organismo complexo que vive e transmite vida a todos os espetáculos, leva-me a fotografar regularmente os espaços intervencionados, a acompanhar a sua evolução e a conhecer detalhes dos melhoramentos.
1 de Agosto, o espaço das plateias do Grande Auditório passou da massa disforme de escombros para um corpo cinzento formado por pacotes retangulares de cimento, as condutas de ar condicionado, os acessos e as zonas técnicas permanecem esventradas.
12 de Setembro, o chão do Grande Auditório está agora completamente coberto de cimento, estão em profunda renovação a antiga sala de ensaios da orquestra, os espaços técnicos adjacentes, e os gabinetes de trabalho da direção de cena. Vêem-se ombreiras abertas, espessura de paredes, cabines de tradução recuperadas, fios elétricos e muitas ferramentas de outros trabalhos que não os habituais instrumentos musicais.
O bar do grande auditório continua a ser um local de muitas passagens.
18 de Outubro, teias de andaimes cruzam o Grande Auditório, cortinas de pó cobrem toda a zona. Surgiu a nova régie no centro da 1ª plateia. Entretanto, no piso -2 a futura grande sala de ensaios da Orquestra Gulbenkian começa a ser preparada. Está feito o primeiro rasgo na parede que une os dois antigos estúdios de bailado.
4, 22 e 27 de Novembro, a criação da nova sala de ensaios, no piso -2, requer extensas manobras, movimentos de monstros mecânicos e o apoio de muitos homens. A profundidade a que estamos, os barulhos, a atmosfera, as poeiras, os riscos, as advertências, o equipamento e as medidas de segurança são muitas. Os trabalhos de soldaduras iluminam de azul um dos antigos estúdios, como se de um grandioso cenário de espectáculo se tratasse.
Por outro lado, percorrer as cabines de cinema e cabines técnicas de edição de imagem, de som e de luz, situadas no topo do Grande Auditório permite a visão panorâmica do auditório em transformação.
O Auditório que voltou a ser alcatifado da cor original, estará agora coberto de plástico branco, até ao fim da obra.
O sub-palco acomoda os nove elevadores de cena, mecanismos gigantes, que se movimentam precisa e silenciosamente e recebem quilómetros de cabos coloridos das instalações elétricas e de audiovisuais.
6 de Dezembro, desço às galerias subterrâneas onde existem caminhos bem iluminados, com condutas e instalações metálicas em 3 canais onde passam os cerca de 160 quilómetros de cabos, de baixa, média e alta tensão. Nesta “mina” sente-se a imensa dimensão da Fundação.
A nova sala de ensaios continua com trabalhos de força na infraestrutura. A definitiva união dos dois estúdios está a arrancar. Entretanto, no grande auditório, já se colocam as primeiras cadeiras, também estofadas da cor de origem, afinam-se os novos mecanismos dos elevadores originais e do novo elevador avant-cène.
20 de Dezembro, a renovação da cafetaria do auditório está em fase de acabamento, já alcatifada mas ainda coberta com plástico preto, dentro do auditório as cadeiras estão quase todas montadas, no balcão reparo nas madeiras recolocadas, ligeiramente alteradas para melhoramento acústico.
No piso -2, mais propriamente na nova sala de ensaios, os trabalhos pesados avançam aceleradamente. Montam-se e afinam-se os grandiosos mecanismos dos 9 elevadores de palco.
Na nossa garagem, que nestes meses funcionou parcialmente como estaleiro da obra, longos veículos continuarão a produzir cimento e continuaremos a assistir às suas manobras pesadas até à breve conclusão da renovação do Grande Auditório.
Ana Gaiaz
Direcção de Cena da FCG



























































